quarta-feira, 29 de abril de 2026

Brasileira no Líbano detalha ataque de Israel que matou família durante cessar-fogo : "Acharam só pedaços dos corpos",

Os corpos da brasileira Manal Jaafar e de seu marido, o libanês Ghassan Nader, mortos no domingo, 26, em um ataque israelense no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano, ainda não foram localizados, segundo relatos de parentes das vítimas. O filho mais novo do casal, Ali Ghassan Nader, de 11 anos, que também é brasileiro, foi encontrado e sepultado.


O casal e os dois filhos estavam hospedados em Beirute por causa do conflito, e voltaram para casa, em Bint Jbeil, para buscar roupas.A cidade, no sul, faz parte de toda a área que Israel planeja ocupar militarmente, e ainda tem sido constantemente atacada.


"Quando deu esse cessar fogo, entre aspas, porque não existe cessar fogo... eles foram para visitar a casa, né, e quando eles estavam na casa Israel bombardeou a casa deles", contou, em entrevista para Paula Valdez no Tarde Band News,  Romi Salman, brasileira que vive no Líbano 


A comunidade brasileira no Líbano é a maior do Oriente Médio. São cerca de 20.000 pessoas residindo aqui no país e o clima é de muita tristeza, de muita consternação e revolta.


"É difícil falar, mas não foram encontrados os corpos, foram encontrados só os pedaços dos corpos, entendeu? Então não houve na verdade um enterro justo porque não foram encontrados os corpos", disse a brasileira.


Israel não se manifestou sobre a morte dos brasileiros, mas afirma que não têm civis como alvo. Nos últimos ataques lançados no sul, as forças israelenses afirmam ter destruído a infraestrutura usada pelo Hezbollah, e matado combatentes do grupo xiita, apoiado pelo Irã. O Hezbollah também tem lançado foguetes contra o norte israelense, apesar da trégua, válida até o fim de maio.


"A minha casa no sul do Líbano foi bombardeada (...) as pessoas estão todas refugiadas, são milhões de pessoas vivendo em barracas no meio das ruas, em lugares que, entre aspas, é mais seguro. Mas na verdade, no Líbano, não existe mais nenhum lugar seguro", lamenta Romi.

VIOLAÇÕES AO CESSAR-FOGO


O suposto cessar-fogo costurado no Líbano vem sendo violado por Israel. O Hezbollah, grupo político-militar xiita,já informou que vai reagir às violações da trégua. Por outro lado, o Irã vem pressiona para que o cessar-fogo no Oriente Médio tem que incluir o Líbano.

De acordo com a Casa Branca, Israel poderia realizar ataques contra o Hezbollah apenas “em legítima defesa, a qualquer momento, contra ataques planejados, iminentes ou em curso”.


MANIFESTAÇÃO DO ITAMARATY 


O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou nesta segunda-feira (27) a morte de uma cidadã brasileira, de seu filho de 11 anos e do marido libanês, vítimas de um bombardeio das Forças de Defesa de Israel. O episódio ocorreu no domingo (26), na residência onde a família morava, localizada no distrito de Bint Jeil, na porção sul do território do Líbano. Um segundo filho do casal, também cidadão do Brasil, sobreviveu à ofensiva militar e está sob cuidados médicos.


Para o Itamaraty, a ofensiva israelense que vitimou os civis configura uma agressão direta ao acordo de cessar-fogo anunciado em 16 de abril. A chancelaria avalia que o bombardeio em Bint Jeil representa mais um retrato inaceitável das contínuas violações contra a trégua pacífica previamente estipulada para a região.


Além de lamentar as mortes, o Ministério das Relações Exteriores condenou as táticas de destruição de infraestrutura básica na zona sul da nação árabe. A pasta relatou que o contingente militar israelense promove demolições contínuas e sistemáticas de residências familiares e estruturas civis há diversas semanas consecutivas na área de fronteira.


Na visão do governo brasileiro, essas manobras de ataque ampliam drasticamente a gravidade da crise humanitária enfrentada no território do Oriente Médio. O comunicado oficial alerta para a persistência preocupante do deslocamento forçado imposto à população, destacando que as operações bélicas já forçaram mais de um milhão de civis a abandonarem os lares.


O Itamaraty encerrou o pronunciamento exigindo a suspensão incondicional e imediata de todos os enfrentamentos militares na região conflagrada. Para as autoridades do Brasil, a resolução pacífica para o impasse atual depende inteiramente da saída completa das tropas das Forças de Defesa de Israel de dentro do espaço territorial soberano do Líbano.



NOVOS ATAQUES ISRAELENSES

Neste domingo, as forças israelenses ordenaram a retirada imediata de moradores de sete cidades no sul do Líbano, alegando que o grupo Hezbollah estava violando o cessar-fogo.



Eles orientaram as pessoas a se dirigirem para o norte e oeste, se afastando das cidades, que ficam ao norte do rio Litani e na zona sul do Líbano ocupadas por tropas israelenses. Milhares de pessoas deixaram a região, mas mesmo assim, pelo menos 14 pessoas morreram e outras 37 ficaram feridas em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde libanês.

 O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que agiria com firmeza para garantir a segurança das comunidades israelenses.Por outro lado, o Hezbollah declarou que não vai interromper os ataques enquanto Israel mantiver tropas em solo libanês, afirmando que não confia mais na diplomacia.


Desde o início do conflito em março, mais de 2.500 libaneses foram mortos, incluindo 274 mulheres, 177 crianças e 100 profissionais de saúde. Em Israel morreram dois civis, e 15 soldados israelenses morreram no Líbano desde 2 de março.


HEZBOLLAH APELA PARA “MÁRTIRES”

O grupo extremista Hezbollah afirmou que vai ativar táticas de guerra dos anos 80 nos confrontos contra Israel. O Hezbollah disse que vai utilizar "grupos de mártires" nas vilas libanesas ocupadas pelo Exército israelense.
Segundo um líder do grupo "a missão é confrontar diretamente oficiais e soldados de Israel no Sul do Líbano".


O presidente libanês, Joseph Aoun, disse que a região continua a "pagar o preço da guerra de outros". Aoun afirma que, se a guerra estivesse ocorrendo "em prol do Líbano", ele a apoiaria, mas que o objetivo  é atender aos interesses de outros".


Aoun vem sendo acusado de traição por aliados do grupo extremista apoiado pelo Irã que não concordam com a condução do presidente nas negociações com Israel.


Aoun respondeu afirmando que  "a traição é cometida por aqueles que levam seu país à guerra para atender a interesses estrangeiros."


O cessar-fogo acordado entre Israel e o Líbano foi prorrogado por três semanas, embora os ataques entre Israel e o grupo Hezbollah tenham continuado nos últimos dias e novas ordens de retirada tenham sido emitidas pra populações no sul do Líbano.


O Hezbollah ainda não participou das negociações para promover a paz na região

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