Eu estou convencido de que os maiores inimigos da Verdade em nossos dias, aqueles que nos oferecem mais risco, não estão fora das igrejas, mas dentro. Eles estão à frente de igrejas, estão nos púlpitos, nas casas onde grupos familiares se reúnem, estão publicando mensagens e textos em sites cristãos na internet, dando aula nos seminários, são autores de livros que compramos nas livrarias evangélicas
No primeiro capítulo de sua carta a Tito, Paulo escreve:
“e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância. Um dos seus próprios profetas chegou a dizer: “Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos”. Tal testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé e não dêem atenção a lendas judaicas nem a mandamentos de homens que rejeitam a verdade.”
Paulo orienta Tito a ser fiel à mensagem, à Verdade, da forma que a recebeu dele, sendo capaz de refutar os que se opõe à sã Doutrina.
Paulo, então, segue falando das características desses homens e mulheres que têm se oposto à Verdade e de que forma Tito deveria defendê-la perante eles. Nos versículos 1:6 e 2:1, Paulo conclui essa parte de sua carta alertando:
“Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam; são detestáveis, desobedientes e desqualificados qualquer boa obra. Você, porém, fale o que está de acordo com a sã doutrina”
Gostaria que pudéssemos analisar de forma mais detalhada, quais são as características que Paulo destaca no perfil desses opositores da Verdade e, também, a forma como Tito deveria resistí-los:
v.9: “e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela.”
Tito, em primeiro lugar, deveria ser fiel à Doutrina, na forma como recebeu do Apóstolo Paulo. A autoridade para refutar a falsa doutrina não estaria em sua opinião pessoal, seus achismos, mas em seu conhecimento da Verdade bíblica, é nela que Tito deveria estar firmado.
Hernandes Dias Lopes escreveu sobre esse texto:
“O poder para a exortação, não vem da força, das técnicas de psicologia nem mesmo do ofício que o presbítero ocupa, mas do conhecimento da verdade para aplicar corretamente as Escrituras. A exortação não é fruto de capricho ou opinião pessoal do presbítero, mas do reto ensino das Escrituras. Sua exortação está fundamentada no reto ensino da verdade.”
Vale a pena destacar que a palavra traduzida no texto como “refutar”, é a palavra grega “elegcho”, que segundo o dicionário de Strong significa: “sentenciar, refutar, confutar geralmente com implicação de vergonha em relação à pessoa sentenciada; por meio de evidências condenatórias, trazer a luz, expor..”
Refutar, é mais do que apenas contrariar, ou contradizer, mas argumentar, trazer provas que separam o falso do verdadeiro. Para que isso seja possível, é necessário conhecer profundamente as Escrituras e dedicar-se a conhecê-las ainda mais, dia após dia.
Paulo exorta Timóteo a aplicar-se à leitura, à exortação e ao ensino (I Tm 4.13). A se alimentar com as palavras de fé e boa doutrina (1 Tm 4.6). Ele deveria se tornar na Palavra o padrão para os demais (I Tm 4.12). Seu progresso, seu crescimento, deveria ficar evidente para todos (1 Tm 4.15).
“Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão.”
Creio que existem pessoas que agregarão as 3 características destacadas por Paulo – insubordinados que são faladores e enganadores.
OS FALADORES
Este é o grupo que sofre menos oposição dentro da igreja. Seu pecado parece tolerável. Faladores, ou falastrões, são aqueles que falam mais do que deveriam. Esse tipo de pessoa cai muito fácil nos pecados da língua e, creio que principalmente, na maledicência. Muitas pessoas são contaminadas com o veneno da maledicência, tornam-se maldizentes. Isso é amplamente abordado no Novo Testamento (TY 3.1-2 1 Tm 3.11; 1 Tm 5.13. Cl3.8: 1 Co 6.9 10, I Co 5.11; I Pe 2.1-2).
Essas pessoas normalmente são pessoas carismáticas, mas que se feriram com a igreja, com sua liderança ou simplesmente têm um espírito rebelde, que as impulsiona a falar e falar mal, seja de quem for. Normalmente as vítimas são seus pais, seus pastores, seus líderes ou qualquer outra pessoa que tenha uma posição de destaque ministerial.
Frequentemente, essas pessoas têm queixas genuínas. Elas foram vítimas de abuso espiritual, abuso de autoridade, foram feridas. Mas em vez de tratar suas feridas, elas deixaram, como diz o autor do livro de Hebreus, que a amargura criasse raízes e assim passasse a contaminar a muitos (Hb 12.15). Elas se tornam amargas, ácidas e carregadas de justiça própria. Elas acabam dizendo a si mesmas que são profetas, defensoras da verdade, mas com suas palavras expelem um veneno sutil que contamina a todos que lhes dão ouvidos. São os “profetas da língua preta.” Estas pessoas são tomadas de uma crítica constante e destrutiva. Elas passam a não se encaixar em lugar nenhum e ninguém é bom o suficiente para ser autoridade sobre elas. Elas se tornam obstinadas em revelar sua “verdade” e mostrar a todos como estão sendo enganados.
Em Mateus 15.17-20, Jesus diz:
“Não percebem que o que entra pela boca vai para o estômago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem impuro; mas o comer sem lavar as mãos não o torna ‘impuro’.”
Por muito tempo eu li esse texto, pensando que o mal que saia de minha boca me contaminava. Então se eu usasse de palavras torpes, eu me contaminaria. Se eu fosse maledicente, eu me contaminaria. Mas não é isso que Jesus nos ensina aqui. O que Jesus está dizendo, é que aquilo sai pela boca do homem, vem de seu interior. A boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34). Então o que sai da boca não pode contaminar quem fala, pois quem fala já está contaminado e está simplesmente colocando para fora aquilo que já tem por dentro “Pois do coração saem os maus pensamentos e as calúnias”.
Sendo assim, se o que sai pela boca não contamina quem está falando (pois este já está contaminado), contamina quem? Quem ouve!
Quando damos ouvidos aos maledicentes nos abrimos para receber a contaminação que está em seu coração. Somos infectados, sujos, contaminados.
No versículo 11 do texto que estamos estudando, Tito 1, Paulo alerta Tito:
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