Os serviços de telefonia e internet seguem suspensos no Irã depois de duas semanas de protestos e intensa repressão do regime dos aiatolás.
Neste fim de semana, o líder supremo do país persa, Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu, pela primeira vez, que milhares de pessoas morreram nos atos. Segundo a agência Reuters, o número de mortos já chegou a 5 mil.
Os protestos perderam força nos últimos dias e o apagão nas comunicações freou as convocações para novas manifestações contra o governo.
No Tarde Band News, a apresentadora Paula Valdez e a editora de assuntos internacionais Adriana Wainstock conversaram com o Embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães. A conversa aconteceu por telefone já que o sinal de internet em Teerã era tão fraco que impedia a transmissão de conteúdo em vídeo.
Ele explicou que a comunicação tem sido o maior desafio na região neste momento.
“A dificuldade é de receber informação. O governo explica que essa necessidade de ter cortado o acesso à internet por uma campanha que vinha do exterior disseminando notícias falsas. E também essa questão de uma possibilidade de uma ajuda externa, isso também foi visto como uma maneira de encorajamento a protestos. Essa é a justificativa do governo iraniano”.
Veras Guimarães também deu um panorama da situação desta segunda-feira na capital iraniana.
“Eu não vi essa intensidade dos protestos aqui. Eu não posso dizer sobre as outras áreas porque nós não temos informação. O nosso atendimento aqui tem sido feito pessoalmente. As pessoas vão à embaixada, não há qualquer dificuldade de locomoção, a cidade continua funcionando, está normal em termos de abertura de comércio. Em Teerã, a situação é tranquila do ponto de vista dos protestos”.
“Nós tivemos algumas pessoas que nos procuraram para que nós déssemos informação aos seus familiares. Não foram muitos, foram somente alguns. Nós transmitimos os contatos no Brasil e dissemos à família por meio do Ministério das Relações Exteriores que essas pessoas procuraram a embaixada, disseram que estão bem e que não houve nenhum envolvimento em nenhum incidente”.
RISCO DE SANÇÕES ECONÔMICAS
Além das relações diplomáticas, o governo brasileiro vê o Irã como um aliado no Oriente Médio. O Brasil foi uma das poucas nações do ocidente convidadas para a posse do presidente do país, em 2024, conduziu a entrada dos iranianos no BRICS e tem uma relação histórica com Teerã.
A parceria é traduzida em superávits sucessivos. Desde 1989, o Brasil vende para o Irã mais do que compra. Atualmente, o país persa é o quarto maior parceiro comercial do brasil no mundo islâmico. Por isso, as tarifas de 25% para países que negociarem com o Irã, anunciada pelo presidente americano Donald Trump na semana passada, são vistas com cautela.
“Nós temos que saber o que que vai de fato acontecer. A imposição dessa tarifa de 25% é unilateral.
Assim como há pouco tempo o presidente Trump também indicou tarifas e depois teve que readequar, acho que vai haver uma readequação também.
Não há nenhuma conversa ainda sobre esse aspecto. A gente ainda espera para saber como vai evoluir para ver qual é o melhor caminho a tomar”, conclui o embaixador em Teerã.
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