Imigrantes acampam na estação ferroviária de Keleti, em Budapeste. Os refugiados tentam viajar para a Alemanha
Imigrantes acampam na estação ferroviária de Keleti, em Budapeste. Os refugiados tentam viajar para a Alemanha
Uma metrópole esfarrapada, de milhares de migrantes cansados e maltrapilhos, continuou a crescer na última quarta-feira (2) no labirinto de passagens subterrâneas fora da estação de trem de Keleti.
As autoridades húngaras, dizendo que estavam apenas obedecendo os regulamentos europeus de imigração, continuaram a manter os imigrantes fora da estação, apesar de terem permitido que milhares pegassem trens para o Oeste na segunda-feira (31).
Enquanto isso, imigrantes desesperados, fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio, na África e no Afeganistão -a maioria deles na esperança de chegar à Alemanha- continuam a chegar em grandes números na fronteira da Sérvia com a Hungria. A construção de uma cerca de arame farpado parece ter surtido pouco efeito.
E assim, enquanto os ministros europeus se preparavam para uma série de reuniões para discutir a crise, prometendo encontrar algum tipo de resposta conjunta e humana, a cidade esquálida de Keleti cresceu e inchou, desenvolvendo novos subúrbios a cada hora.
"Estamos dormindo no lixo", disse Ramadan Mustafa, 23, um chef da cidade síria de Qamishli. "Nós não sabemos o que fazer. É uma questão de direitos humanos. Se eles não fizerem alguma coisa sobre a situação, vamos começar a andar".
No calor sufocante, os imigrantes se acomodavam onde conseguiam: no piso da praça subterrânea ligando Keleti à estação de metrô mais próxima; ao longo das passagens sob as amplas avenidas que cercam a estação e até ao nível do solo, na calçada de concreto ensolarada na entrada principal da enorme estação. Lá, os caminhões das redes de televisão forneciam algumas manchas de sombra, e centenas de policiais impassíveis vigiavam todas as portas.
Mauricio Lima/The New York Times
Passageiros aguardam em estação de trem de Budapeste, na Hungria
Centenas de milhares de imigrantes têm procurado refúgio na Europa, deparando-se com uma colcha de retalhos de políticas de asilo incoerentes em toda a União Europeia de 28 membros. Ao mesmo tempo, o sentimento contra os imigrantes, incitado por partidos políticos de extrema-direita, está promovendo um retrocesso em alguns países, inclusive no Reino Unido, França e Hungria, onde esses partidos têm influenciado a agenda política.
O mais recente foco da crise é o tumulto em torno da estação de Keleti. Na quarta-feira, mais de 2.000 imigrantes –na maioria, jovens e famílias- agrupados em cobertores esfarrapados deitavam-se no assoalho imundo. Alguns tinham pequenas tendas. As crianças corriam pelo labirinto de acampamentos improvisados ou tentavam jogar futebol nas pequenas áreas de espaço desocupado.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Enquanto Europa busca soluções, nasce uma cidade de imigrantes em Budapeste
Imigrantes acampam na estação ferroviária de Keleti, em Budapeste. Os refugiados tentam viajar para a Alemanha
Imigrantes acampam na estação ferroviária de Keleti, em Budapeste. Os refugiados tentam viajar para a Alemanha
Uma metrópole esfarrapada, de milhares de migrantes cansados e maltrapilhos, continuou a crescer na última quarta-feira (2) no labirinto de passagens subterrâneas fora da estação de trem de Keleti.
As autoridades húngaras, dizendo que estavam apenas obedecendo os regulamentos europeus de imigração, continuaram a manter os imigrantes fora da estação, apesar de terem permitido que milhares pegassem trens para o Oeste na segunda-feira (31).
Enquanto isso, imigrantes desesperados, fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio, na África e no Afeganistão -a maioria deles na esperança de chegar à Alemanha- continuam a chegar em grandes números na fronteira da Sérvia com a Hungria. A construção de uma cerca de arame farpado parece ter surtido pouco efeito.
E assim, enquanto os ministros europeus se preparavam para uma série de reuniões para discutir a crise, prometendo encontrar algum tipo de resposta conjunta e humana, a cidade esquálida de Keleti cresceu e inchou, desenvolvendo novos subúrbios a cada hora.
"Estamos dormindo no lixo", disse Ramadan Mustafa, 23, um chef da cidade síria de Qamishli. "Nós não sabemos o que fazer. É uma questão de direitos humanos. Se eles não fizerem alguma coisa sobre a situação, vamos começar a andar".
No calor sufocante, os imigrantes se acomodavam onde conseguiam: no piso da praça subterrânea ligando Keleti à estação de metrô mais próxima; ao longo das passagens sob as amplas avenidas que cercam a estação e até ao nível do solo, na calçada de concreto ensolarada na entrada principal da enorme estação. Lá, os caminhões das redes de televisão forneciam algumas manchas de sombra, e centenas de policiais impassíveis vigiavam todas as portas.
Mauricio Lima/The New York Times
Passageiros aguardam em estação de trem de Budapeste, na Hungria
Centenas de milhares de imigrantes têm procurado refúgio na Europa, deparando-se com uma colcha de retalhos de políticas de asilo incoerentes em toda a União Europeia de 28 membros. Ao mesmo tempo, o sentimento contra os imigrantes, incitado por partidos políticos de extrema-direita, está promovendo um retrocesso em alguns países, inclusive no Reino Unido, França e Hungria, onde esses partidos têm influenciado a agenda política.
O mais recente foco da crise é o tumulto em torno da estação de Keleti. Na quarta-feira, mais de 2.000 imigrantes –na maioria, jovens e famílias- agrupados em cobertores esfarrapados deitavam-se no assoalho imundo. Alguns tinham pequenas tendas. As crianças corriam pelo labirinto de acampamentos improvisados ou tentavam jogar futebol nas pequenas áreas de espaço desocupado.
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