Zaid* cresceu em uma família muçulmana rígida no Iêmen. Durante a adolescência, ele passou a questionar secretamente o islamismo.
O adolescente não tinha certeza se iria para o Céu após a morte e essa incerteza o assombrou. Até que Zaid se tornou ateu e passou a buscar a verdade na internet. “Eu estava usando as redes sociais para pesquisar e debater”, contou ele, à Portas Abertas.
Depois de seis meses de pesquisas, o jovem não encontrou uma resposta e se sentiu ainda mais vazio.
“Eu me sentia sozinho. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, ninguém para compartilhar meus desafios”, explicou ele.
Até que Zaid teve contato com o Evangelho na web. “Eu lia sobre o cristianismo para aprender como vencer debates contra os cristãos. No entanto, quando eu percebia que não conseguia vencer, eu os amaldiçoava para ver a reação deles. O que me atraía neles era o amor. Eles demonstravam amor e nunca me amaldiçoavam de volta”, lembrou.
“Lentamente, comecei a ouvir para entender, e não para debater. A ideia de que Deus nos ama, de que Ele nos criou à sua imagem e de que enviou seu Filho para morrer por nós eram pensamentos e verdades completamente novos para mim”.
O ex-muçulmano passou a aprender mais sobre Jesus e a ler a Bíblia em um aplicativo no celular. Além disso, ele foi discipulado por um cristão de forma online.
“Por um ano e meio, percorri uma jornada de discipulado e cresci na fé em Jesus”, comentou.
Risco de prisão e morte
Em seguida, mesmo correndo risco de perseguição, Zaid decidiu que queria ser batizado nas águas.
O Iêmen é o terceiro país mais perigoso para ser um cristão. Na nação islâmica, se tornar um seguidor de Jesus é crime e, se um crente é descoberto, pode ser punido com a morte.
“Alaa, o cristão que me discipulava online, disse que organizaria tudo. Ele enviaria um irmão que morava perto de onde eu estava e ele poderia me batizar se eu estivesse certo sobre minha decisão. Claro que eu estava! Eu queria obedecer!”, relatou.
Então, Zaid se encontrou com o cristão local, que o batizou em uma piscina pública. “Eu encontrei o homem em uma rua. Apertei sua mão, e caminhamos juntos até uma piscina. Era um dia movimentado e a piscina estava cheia de gente. Descemos as escadas até um canto da piscina. O homem me fez duas perguntas simples sobre minha fé, depois me batizou, mergulhando e tirando da água, e fomos embora imediatamente”, contou.
“Não o vi depois disso. Aquela foi a primeira vez que conheci um cristão pessoalmente no Iêmen”.
Hoje, com ajuda de parceiros da Portas Abertas, Zaid começou um grupo de discipulado com novos crentes. O propósito do projeto é oferecer um lugar seguro para capacitar cristãos a liderarem igrejas domésticas no país.
“Honestamente, como uma pessoa comum, eu tenho medo, sim. Mas se não corrermos riscos, não conseguiremos alcançar nossas comunidades. Até os discípulos arriscaram muito; enfrentaram perseguição, foram mortos, espancados e vigiados, mas por causa de seus sacrifícios, a Palavra de Deus chegou até nós”, refletiu ele.
E destacou: “Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”
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